sexta-feira, 30 de julho de 2010

A SOCIEDADE FEUDAL.

O artigo analisa algumas das transformações vividas pela nobreza lusitana ao
longo da época moderna. Para tanto, discute as mudanças que ocorrem na guerra, o
surgimento da vida cortesã e de novas formas de distinção social, que são acompanhadas
pelo crescimento do luxo, pela normatização do vestuário e das formas de tratamento
devidas a cada segmento da nobreza.

Sociedade Feudal, de Marc Bloch, onde ele menciona a importância das relações de parentesco e inclusive cita o fato dela não ser apenas consangüíneas.“Em toda a Europa feudal, portanto, existem grupos consangüíneos. Os termos que servem para designá-los são bastante variáveis: em França, mais vulgarmente, parentesco ou linhagem. Em contrapartida, os laços criados desse modo são extremamente estáveis. Uma expressão é característica disso; em França, para referir os próximos, diz-se normalmente e apenas os amigos e na Alemanha Freunde: os seus amigos, enumera um documento da Ilha de França, do século XI, ou seja, a sua mãe, os seus irmãos, as suas irmãs e os seus outros parentes por sangue ou por aliança. Só por uma preocupação de exatidão bastante rara é que por vezes se especifica: amigos carnais.”A classe senhorial no decorrer de sua historia, mostrou um aspecto bastante marcante, que era as distinções de classe no interior da nobreza, pois dentro dela encontramos uma divisão, aparentemente ligada a diferença da furtuna que cada um possuía. Encontramos esta referencia novamente em Marc Bloch, A Sociedade Feudal – pag 386. “Apesar das características comuns da vocação militar e do género de vida, o grupo dos nobres de fato, e depois, de direito, esteve sempre muito longe de constituir uma sociedade de iguais. Profundas diferenças de fortuna, de poder e, conseqüentemente, de prestígio estabeleciam entre eles uma verdadeira hierarquia, mais ou menos habilmente expressa. primeiro pela opinião e, mais tarde, pelo direito consuetudinário ou pela lei.”Resumidamente podemos dizer que a distribuição da autoridade banal criou uma divisão econômica dentro da classe senhorial. Podemos numa simplificação dizer que no topo dessa hierarquia senhorial estão os componentes do alto clero (bispos, abades) e os homens da guerra (príncipes territoriais, condes, barões e comandantes de castelos).Temos, na parte mais baixa, dessa hierarquia dos nobres, por assim dizer, um conjunto de outros senhores.
A ordem feudal se dá num universo muito amplo e bastante complexo, onde suas divisões podem se delinear numa mudança de ideologia. estabelecimento das “Três Ordens” na divisão estrutural do período, bem como “o Sistema Senhorial”, que estabeleciam as relações de poder dentro destas classes.



tratar essas expressões simplesmente como a etiqueta, desde agora consagrada, de um conteúdo a ser definido".44 Essa definição não deve ser, de modo algum, eternamente postergada,


Porém, mais especificamente, qual é o significado dessa relação e qual é o papel do vínculo feudo-vassálico, como objeto primordial de investigação? Segundo Bloch, "essa ligação [o vínculo feudo-vassálico] era sentida como sendo tão forte, que sua imagem se projetava sobre todos os outros vínculos humanos".58 O papel dessa relação específica com relação às demais é, portanto, de caráter estruturante. Assim, o parentesco e o senhorialismo, relações mais antigas e que duraram por mais tempo, foram, durante o período em que vicejaram as relações feudo-vassálicas, aproximados, em suas características, daquele vínculo.59 No caso do clero, Bloch constata a "extraordinária tenacidade de que fazem prova, até na sua extensão a uma sociedade de essência espiritual, as representações da feudalidade".60 No bojo das demais formas de relação social, a relação feudo-vassálica assume, assim, papel preponderante e articulador.
Tratar-se-ia, para Bloch, de um "mundo que se inclinava a conceber todos os laços de homem a homem sob a imagem do mais sedutor deles [o feudo-vassálico]".61 Esse vínculo teria sido um verdadeiro "cimento social"com relação às outras formas de interação humana.62 É nesse sentido que, cremos, deve entender a caracterização que Bloch faz da "sociedade feudal"como "uma sociedade fragmentada e fundamentalmente una",63 estrutura social plural, mas balizada por um centro de gravidade – o vínculo feudo-vassálico. Era já esse o sentido do vínculo para Bloch, em 1931, quando definiu "feudalismo"da seguinte maneira: "aquela gradação de obrigações que, na Europa, preservou a homogeneidade da organização política".64 Ele "fornecia, [...], pelo jogo das instâncias, um remédio contra o fracionamento".65 Criava, por sua força, unidade em meio à pluralidade da estrutura social. Nesse sentido, não nos parece haver ambiguidade no tratamento dispensado por Bloch à estrutura social, nem mesmo incoerência entre o conteúdo da obra e seu título. No conjunto da estrutura social de uma civilização, Bloch recorta um vínculo específico – o feudo-vassálico –, a sociedade "feudal", como contraposta a outros vínculos, que, significativamente, Bloch não hesita em denominar "sociedades", caso da "sociedade clerical".66 Isso porque esse vínculo ocupa uma posição estruturante no conjunto da estrutura social.
Cabe indicar que essa concepção a respeito do vínculo feudo-vassálico, visto como centro gravitacional de toda uma estrutura social, é uma descontinuidade com o pensamento anterior de Bloch, questão que não podemos desenvolver aqui, pois mereceria um tratamento do problema no conjunto da produção de Bloch, o que evidentemente foge a nossos propósitos. Ainda no artigo bibliográfico de 1931, em que a noção de "estrutura social"já era determinante, Bloch era da opinião de que "o feudo, de que a feudalidade tira o seu nome, não era, em suma, senão uma forma de direito real, dentre muitas outras, e não tinha qualquer caráter dominante, próprio a servir de sinal distintivo a toda uma rede, extremamente complexa, de relações humanas".67 Aqui ainda se está diante do Bloch que vê, mesmo nos séculos da "civilização feudal", a relação senhorial como a preponderante. Ao longo dessa década, todavia, no decorrer de sua redação de La société féodale, Bloch mudou de opinião – sem que possamos identificar claramente o ponto de ruptura, o que sugere se tratar de uma mudança gradual, mais que de um ponto nítido de inflexão – e passou a conferir à relação feudo-vassálica o lugar central no seio dessa estrutura social.

2 comentários:

  1. COlega muito bom esse texto,Bloch faz uma descrição minuciosa do sistema feudal,um ponto que ele também aborda e a vassalagem como sendo um contrato ente o susserano e o vasalo em que ambos tinha obrigaçõe e direitos

    ResponderExcluir
  2. O sistema feudal em sua complexidade é apresentado por Bloch de forma bem detalhada e prazerosa.Muito legal...

    ResponderExcluir