A REVOLUÇÃO RUSSA
Dalvit Greiner
Ainda é importante estudar a Revolução Russa? O que ela representa para o nosso mundo, ainda hoje?
Precisamos lembrar que a humanidade vem se construindo, seja através de novos hábitos e procedimentos não violentos, mas, também, devido a grandes expectativas e um elevado grau de insatisfação a revolta explode com mais força. Não encontrando eco nas práticas políticas cotidianas a população - tendo à sua frente uma vanguarda revolucionária - rompe com procedimentos considerados clássicos e decreta a urgência de uma ou outra medida. Toda revolução é, pois, uma tentativa de melhorar a vida que se vive.
A burguesia, assim como a conhecemos, construiu nos séculos XVI a XVIII sua hegemonia atual a partir de palavras de ordem e revoluções violentas ou não. Suas três principais revoluções alargaram o sentimento de liberdade política e da igualdade de oportunidades como condição necessária para a busca da felicidade. Desde a Revolução Inglesa em 1640, passando pela Revolução Americana em 1776 e culminando na Revolução Francesa em 1789 a já madura burguesia européia consolida seu modo de vida, combate o Antigo Regime e assenta-se no poder.
A Liberdade, como nós a experimentamos hoje é uma construção liderada pela burguesia em mais de trezentos e cinqüenta anos de luta. O primeiro pilar consolida-se com a Revolução Francesa. Essa mesma revolução lança - mas não consegue construir - as idéias de Igualdade e Fraternidade. A igualdade burguesa é uma igualdade de direitos e deveres mas não é uma igualdade de fato. É uma igualdade contraditória na medida que o capitalismo sobrevive graças a competição e toda competição gera desigualdades.
Onde fica o valor da Revolução Russa na história dos homens? A Revolução Russa tenta construir uma Igualdade de direito e de fato quando, ao tomar o Estado, os trabalhadores deixam de ser apenas detentores da mão-de-obra e tornam-se também detentores dos meios de produção. Se, com o advento do capitalismo durante a Revolução Industrial, as técnicas de administração e controle tiraram do povo as terras, máquinas e ferramentas - capitais primordiais para a construção da vida - podemos afirmar que, com a Revolução Russa, tudo aquilo foi devolvido aos homens, pois esta era a plataforma da revolução: terra, trabalho e liberdade. Agora, além da sua força física e seu intelecto, os homens passam a controlar o seu destino e o do capital para produzir uma vida melhor que aquela.
A simbologia da foice e do martelo é bastante significativa: campo e cidade, natureza e artefato, alimento e bem estar. Duas ferramentas representando desejos primordiais da humanidade. São estes os significados da Revolução Russa em seus noventa anos. A possibilidade de um mundo onde estas partes aparentemente antagônicas se juntam para construir um todo. Onde capital e trabalho têm o mesmo valor e o mesmo sentido: produzir bens e conhecimento para o bem-estar de todos.
É bem verdade que a experiência enveredou-se por um caminho estranho, de capitalismo estatal num viés positivista de sociedade planejada e autoritária. Mas não podemos nunca abrir mão da possibilidade que nos aponta o marxismo como referencial teórico, o socialismo como proposta econômica e a democracia direta como modelo político. É possível experimentar uma nova sociedade a partir destes princípios. Norberto Bobbio, pensador político italiano, acalenta-nos com a possibilidade de um socialismo liberal, ou seja, a liberdade política com um planejamento socialista.
Não podemos ainda esquecer o viés Anarquista. Os anarquistas são fundamentais para compreendermos o século XX. "enforcar o último rei nas tripas do último padre" não é apenas uma provocação adolescente. É antes de tudo a necessidade de se repensar a autoridade e seu papel numa comunidade de iguais. O primeiro revés que a Revolução Socialista teve foi abrir mão deste importante movimento que foi o Anarquismo que têm como fim último a tão sonhada Fraternidade e Felicidade humanas.
Por tudo isso é importante estudar, mesmo com suas imperfeições práticas, o modelo proposto pela Rússia de 1917.
Nossa Pati, adorei o seu texto até porque conheço pouco sobre essa revolução, só veio a acrescentar.Em relação a pergunta que você fez no inicio do texto o porque de estudar arevoluão, no seu amplo sentido o fato que mais meapega a qualquer que seja a revolução é a capacide de união que um determindo grupo consegue obter afim de defender seus ideais, e nesse caso a liberdade!
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