África
Quando se pensa em África, o que vem à mente é a idéia de um continente extremamente pobre, onde há muitos animais selvagens e exóticos. Há também a idéia de um “continente negro”. E esta referência de “continente negro”, aparece inclusive em livros. E esta expressão vai muito além, pois os negros são geralmente descritos nos moldes preconceituosos, pois eles não são descritos pela sua cultura, sociedade, estética ou qualquer outra criação humana, mas pela aparência física, pela cor da sua pele.
Outra imagem bem comum da África é de um continente selvagem, tribal e “vivendo longe da civilização”, o que reflete uma das permanências históricas de maior amplitude: tanto de uma visão estereotipada, pejorativa e simplificada, quanto as estruturas sociais chamadas de “tradicionais”.
Durante o expansionismo europeu, todo o investimento feito no território africano foi movido por interesses, pois tinham a necessidade de colonizar e demarcar territórios. No entanto o que vemos ainda hoje é uma grande desqualificação do continente africano, visto como uma unidade selvagem, pobre e inculta. Assim numa visão eurocêntrica, os povos negros são vistos como incapazes de se desenvolver e receber uma educação. Essa afirmação evidencia uma leitura errônea e altamente preconceituosa, pois desqualifica a pessoa pela cor da sua pele.
O que nós não podemos esquecer é que para grande parte da população americana, e em especial a população do Brasil, a África é também uma referência existencial. As nossas raízes também estão na África, pois os negros trazidos de lá para serem escravos, contribuiu na formação de nossa gente. E assim, os descendentes dos africanos no Brasil buscam resgatar as suas raízes.
África do Sul e a Apartheid
A história do país é marcada por conflitos, colonizadores europeus, caçadores de fortuna e racistas dominaram por três séculos a África do Sul. Os primeiros choques entre negros e brancos ocorreram no início da colonização européia no continente africano. Os portugueses descobriram o Cabo da Boa Esperança, depois vieram holandeses, ingleses e franceses.
Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, O Apartheid, ganhou força e foi oficializado em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder
O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito de voto, detinham todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente a legislação separatista. A política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder. O apartheid não permitia o acesso dos negros às urnas, além de não poderem adquirir terras na maior parte do país, obrigando os negros a viverem em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos. A oposição ao apartheid teve início de forma mais intensa na década de 1950, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, lançou uma desobediência civil. Em 1960, a polícia matou 67 negros que participavam de uma manifestação. O Massacre de Sharpeville, como ficou conhecido, provocou protestos em diversas partes do mundo. Como consequência, a CNA foi declarada ilegal, seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.
A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados Bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos e ficavam amontoados nessas regiões.
Com o fim do império português na África (1975) e a queda do governo de minoria branca na Rodésia, atual Zimbábue (1980), o domínio branco na África do Sul entrou em crise. Esses fatos intensificaram as manifestações populares contra o apartheid. A Organização das Nações Unidas (ONU) tentou dar fim à política praticada no país. O presidente Piter Botha promoveu reformas, mas manteve os aspectos do regime racista. Com a posse de Frederick de Klerk na presidência, em 1989, ocorreram várias mudanças. Em 1990, Mandela foi libertado, e o CNA recuperou a legalidade. Klerk revogou as leis raciais e iniciou o diálogo com o CNA. Sua política foi legitimada por um plebiscito só para brancos, 1992, no qual 69% dos eleitores (brancos) votaram pelo fim da apartheid. Klerk e Mandela ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Em abril de 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições multirraciais do país. O Parlamento aprovou a Lei de Direitos Sobre a Terra, restituindo propriedades às famílias negras atingidas pela lei de 1913, que destinou 87% do território à minoria branca. As eleições parlamentares de 1999 foram vencidas pelo candidato indicado por Nelson Mandela, Thabo Mbeki, descartando qualquer tentativa de retorno a uma política segregacionista no país.
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