sábado, 31 de julho de 2010
Um cadim de proza: Resenha do livro Uma Introdução à História!
Muito bom este livro, onde o autor nos levar a conhecer os aspectos da História como ciencia. E assim vemos como é complexo o estudo da História. E ainda assim fica a pergunta se a História é puramente uma ciencia.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Dalvit Greiner
Ainda é importante estudar a Revolução Russa? O que ela representa para o nosso mundo, ainda hoje?
Precisamos lembrar que a humanidade vem se construindo, seja através de novos hábitos e procedimentos não violentos, mas, também, devido a grandes expectativas e um elevado grau de insatisfação a revolta explode com mais força. Não encontrando eco nas práticas políticas cotidianas a população - tendo à sua frente uma vanguarda revolucionária - rompe com procedimentos considerados clássicos e decreta a urgência de uma ou outra medida. Toda revolução é, pois, uma tentativa de melhorar a vida que se vive.
A burguesia, assim como a conhecemos, construiu nos séculos XVI a XVIII sua hegemonia atual a partir de palavras de ordem e revoluções violentas ou não. Suas três principais revoluções alargaram o sentimento de liberdade política e da igualdade de oportunidades como condição necessária para a busca da felicidade. Desde a Revolução Inglesa em 1640, passando pela Revolução Americana em 1776 e culminando na Revolução Francesa em 1789 a já madura burguesia européia consolida seu modo de vida, combate o Antigo Regime e assenta-se no poder.
A Liberdade, como nós a experimentamos hoje é uma construção liderada pela burguesia em mais de trezentos e cinqüenta anos de luta. O primeiro pilar consolida-se com a Revolução Francesa. Essa mesma revolução lança - mas não consegue construir - as idéias de Igualdade e Fraternidade. A igualdade burguesa é uma igualdade de direitos e deveres mas não é uma igualdade de fato. É uma igualdade contraditória na medida que o capitalismo sobrevive graças a competição e toda competição gera desigualdades.
Onde fica o valor da Revolução Russa na história dos homens? A Revolução Russa tenta construir uma Igualdade de direito e de fato quando, ao tomar o Estado, os trabalhadores deixam de ser apenas detentores da mão-de-obra e tornam-se também detentores dos meios de produção. Se, com o advento do capitalismo durante a Revolução Industrial, as técnicas de administração e controle tiraram do povo as terras, máquinas e ferramentas - capitais primordiais para a construção da vida - podemos afirmar que, com a Revolução Russa, tudo aquilo foi devolvido aos homens, pois esta era a plataforma da revolução: terra, trabalho e liberdade. Agora, além da sua força física e seu intelecto, os homens passam a controlar o seu destino e o do capital para produzir uma vida melhor que aquela.
A simbologia da foice e do martelo é bastante significativa: campo e cidade, natureza e artefato, alimento e bem estar. Duas ferramentas representando desejos primordiais da humanidade. São estes os significados da Revolução Russa em seus noventa anos. A possibilidade de um mundo onde estas partes aparentemente antagônicas se juntam para construir um todo. Onde capital e trabalho têm o mesmo valor e o mesmo sentido: produzir bens e conhecimento para o bem-estar de todos.
É bem verdade que a experiência enveredou-se por um caminho estranho, de capitalismo estatal num viés positivista de sociedade planejada e autoritária. Mas não podemos nunca abrir mão da possibilidade que nos aponta o marxismo como referencial teórico, o socialismo como proposta econômica e a democracia direta como modelo político. É possível experimentar uma nova sociedade a partir destes princípios. Norberto Bobbio, pensador político italiano, acalenta-nos com a possibilidade de um socialismo liberal, ou seja, a liberdade política com um planejamento socialista.
Não podemos ainda esquecer o viés Anarquista. Os anarquistas são fundamentais para compreendermos o século XX. "enforcar o último rei nas tripas do último padre" não é apenas uma provocação adolescente. É antes de tudo a necessidade de se repensar a autoridade e seu papel numa comunidade de iguais. O primeiro revés que a Revolução Socialista teve foi abrir mão deste importante movimento que foi o Anarquismo que têm como fim último a tão sonhada Fraternidade e Felicidade humanas.
Por tudo isso é importante estudar, mesmo com suas imperfeições práticas, o modelo proposto pela Rússia de 1917.
O artigo analisa algumas das transformações vividas pela nobreza lusitana ao
longo da época moderna. Para tanto, discute as mudanças que ocorrem na guerra, o
surgimento da vida cortesã e de novas formas de distinção social, que são acompanhadas
pelo crescimento do luxo, pela normatização do vestuário e das formas de tratamento
devidas a cada segmento da nobreza.
Sociedade Feudal, de Marc Bloch, onde ele menciona a importância das relações de parentesco e inclusive cita o fato dela não ser apenas consangüíneas.“Em toda a Europa feudal, portanto, existem grupos consangüíneos. Os termos que servem para designá-los são bastante variáveis: em França, mais vulgarmente, parentesco ou linhagem. Em contrapartida, os laços criados desse modo são extremamente estáveis. Uma expressão é característica disso; em França, para referir os próximos, diz-se normalmente e apenas os amigos e na Alemanha Freunde: os seus amigos, enumera um documento da Ilha de França, do século XI, ou seja, a sua mãe, os seus irmãos, as suas irmãs e os seus outros parentes por sangue ou por aliança. Só por uma preocupação de exatidão bastante rara é que por vezes se especifica: amigos carnais.”A classe senhorial no decorrer de sua historia, mostrou um aspecto bastante marcante, que era as distinções de classe no interior da nobreza, pois dentro dela encontramos uma divisão, aparentemente ligada a diferença da furtuna que cada um possuía. Encontramos esta referencia novamente em Marc Bloch, A Sociedade Feudal – pag 386. “Apesar das características comuns da vocação militar e do género de vida, o grupo dos nobres de fato, e depois, de direito, esteve sempre muito longe de constituir uma sociedade de iguais. Profundas diferenças de fortuna, de poder e, conseqüentemente, de prestígio estabeleciam entre eles uma verdadeira hierarquia, mais ou menos habilmente expressa. primeiro pela opinião e, mais tarde, pelo direito consuetudinário ou pela lei.”Resumidamente podemos dizer que a distribuição da autoridade banal criou uma divisão econômica dentro da classe senhorial. Podemos numa simplificação dizer que no topo dessa hierarquia senhorial estão os componentes do alto clero (bispos, abades) e os homens da guerra (príncipes territoriais, condes, barões e comandantes de castelos).Temos, na parte mais baixa, dessa hierarquia dos nobres, por assim dizer, um conjunto de outros senhores.
A ordem feudal se dá num universo muito amplo e bastante complexo, onde suas divisões podem se delinear numa mudança de ideologia. estabelecimento das “Três Ordens” na divisão estrutural do período, bem como “o Sistema Senhorial”, que estabeleciam as relações de poder dentro destas classes.
tratar essas expressões simplesmente como a etiqueta, desde agora consagrada, de um conteúdo a ser definido".44 Essa definição não deve ser, de modo algum, eternamente postergada,
Porém, mais especificamente, qual é o significado dessa relação e qual é o papel do vínculo feudo-vassálico, como objeto primordial de investigação? Segundo Bloch, "essa ligação [o vínculo feudo-vassálico] era sentida como sendo tão forte, que sua imagem se projetava sobre todos os outros vínculos humanos".58 O papel dessa relação específica com relação às demais é, portanto, de caráter estruturante. Assim, o parentesco e o senhorialismo, relações mais antigas e que duraram por mais tempo, foram, durante o período em que vicejaram as relações feudo-vassálicas, aproximados, em suas características, daquele vínculo.59 No caso do clero, Bloch constata a "extraordinária tenacidade de que fazem prova, até na sua extensão a uma sociedade de essência espiritual, as representações da feudalidade".60 No bojo das demais formas de relação social, a relação feudo-vassálica assume, assim, papel preponderante e articulador.
Tratar-se-ia, para Bloch, de um "mundo que se inclinava a conceber todos os laços de homem a homem sob a imagem do mais sedutor deles [o feudo-vassálico]".61 Esse vínculo teria sido um verdadeiro "cimento social"com relação às outras formas de interação humana.62 É nesse sentido que, cremos, deve entender a caracterização que Bloch faz da "sociedade feudal"como "uma sociedade fragmentada e fundamentalmente una",63 estrutura social plural, mas balizada por um centro de gravidade – o vínculo feudo-vassálico. Era já esse o sentido do vínculo para Bloch, em 1931, quando definiu "feudalismo"da seguinte maneira: "aquela gradação de obrigações que, na Europa, preservou a homogeneidade da organização política".64 Ele "fornecia, [...], pelo jogo das instâncias, um remédio contra o fracionamento".65 Criava, por sua força, unidade em meio à pluralidade da estrutura social. Nesse sentido, não nos parece haver ambiguidade no tratamento dispensado por Bloch à estrutura social, nem mesmo incoerência entre o conteúdo da obra e seu título. No conjunto da estrutura social de uma civilização, Bloch recorta um vínculo específico – o feudo-vassálico –, a sociedade "feudal", como contraposta a outros vínculos, que, significativamente, Bloch não hesita em denominar "sociedades", caso da "sociedade clerical".66 Isso porque esse vínculo ocupa uma posição estruturante no conjunto da estrutura social.
Cabe indicar que essa concepção a respeito do vínculo feudo-vassálico, visto como centro gravitacional de toda uma estrutura social, é uma descontinuidade com o pensamento anterior de Bloch, questão que não podemos desenvolver aqui, pois mereceria um tratamento do problema no conjunto da produção de Bloch, o que evidentemente foge a nossos propósitos. Ainda no artigo bibliográfico de 1931, em que a noção de "estrutura social"já era determinante, Bloch era da opinião de que "o feudo, de que a feudalidade tira o seu nome, não era, em suma, senão uma forma de direito real, dentre muitas outras, e não tinha qualquer caráter dominante, próprio a servir de sinal distintivo a toda uma rede, extremamente complexa, de relações humanas".67 Aqui ainda se está diante do Bloch que vê, mesmo nos séculos da "civilização feudal", a relação senhorial como a preponderante. Ao longo dessa década, todavia, no decorrer de sua redação de La société féodale, Bloch mudou de opinião – sem que possamos identificar claramente o ponto de ruptura, o que sugere se tratar de uma mudança gradual, mais que de um ponto nítido de inflexão – e passou a conferir à relação feudo-vassálica o lugar central no seio dessa estrutura social.
Quando se pensa em África, o que vem à mente é a idéia de um continente extremamente pobre, onde há muitos animais selvagens e exóticos. Há também a idéia de um “continente negro”. E esta referência de “continente negro”, aparece inclusive em livros. E esta expressão vai muito além, pois os negros são geralmente descritos nos moldes preconceituosos, pois eles não são descritos pela sua cultura, sociedade, estética ou qualquer outra criação humana, mas pela aparência física, pela cor da sua pele.
Outra imagem bem comum da África é de um continente selvagem, tribal e “vivendo longe da civilização”, o que reflete uma das permanências históricas de maior amplitude: tanto de uma visão estereotipada, pejorativa e simplificada, quanto as estruturas sociais chamadas de “tradicionais”.
Durante o expansionismo europeu, todo o investimento feito no território africano foi movido por interesses, pois tinham a necessidade de colonizar e demarcar territórios. No entanto o que vemos ainda hoje é uma grande desqualificação do continente africano, visto como uma unidade selvagem, pobre e inculta. Assim numa visão eurocêntrica, os povos negros são vistos como incapazes de se desenvolver e receber uma educação. Essa afirmação evidencia uma leitura errônea e altamente preconceituosa, pois desqualifica a pessoa pela cor da sua pele.
O que nós não podemos esquecer é que para grande parte da população americana, e em especial a população do Brasil, a África é também uma referência existencial. As nossas raízes também estão na África, pois os negros trazidos de lá para serem escravos, contribuiu na formação de nossa gente. E assim, os descendentes dos africanos no Brasil buscam resgatar as suas raízes.
África do Sul e a Apartheid
A história do país é marcada por conflitos, colonizadores europeus, caçadores de fortuna e racistas dominaram por três séculos a África do Sul. Os primeiros choques entre negros e brancos ocorreram no início da colonização européia no continente africano. Os portugueses descobriram o Cabo da Boa Esperança, depois vieram holandeses, ingleses e franceses.
Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, O Apartheid, ganhou força e foi oficializado em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder
O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito de voto, detinham todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente a legislação separatista. A política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder. O apartheid não permitia o acesso dos negros às urnas, além de não poderem adquirir terras na maior parte do país, obrigando os negros a viverem em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos. A oposição ao apartheid teve início de forma mais intensa na década de 1950, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, lançou uma desobediência civil. Em 1960, a polícia matou 67 negros que participavam de uma manifestação. O Massacre de Sharpeville, como ficou conhecido, provocou protestos em diversas partes do mundo. Como consequência, a CNA foi declarada ilegal, seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.
A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados Bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos e ficavam amontoados nessas regiões.
Com o fim do império português na África (1975) e a queda do governo de minoria branca na Rodésia, atual Zimbábue (1980), o domínio branco na África do Sul entrou em crise. Esses fatos intensificaram as manifestações populares contra o apartheid. A Organização das Nações Unidas (ONU) tentou dar fim à política praticada no país. O presidente Piter Botha promoveu reformas, mas manteve os aspectos do regime racista. Com a posse de Frederick de Klerk na presidência, em 1989, ocorreram várias mudanças. Em 1990, Mandela foi libertado, e o CNA recuperou a legalidade. Klerk revogou as leis raciais e iniciou o diálogo com o CNA. Sua política foi legitimada por um plebiscito só para brancos, 1992, no qual 69% dos eleitores (brancos) votaram pelo fim da apartheid. Klerk e Mandela ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Em abril de 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições multirraciais do país. O Parlamento aprovou a Lei de Direitos Sobre a Terra, restituindo propriedades às famílias negras atingidas pela lei de 1913, que destinou 87% do território à minoria branca. As eleições parlamentares de 1999 foram vencidas pelo candidato indicado por Nelson Mandela, Thabo Mbeki, descartando qualquer tentativa de retorno a uma política segregacionista no país.
Quando se pensa em África, o que vem à mente é a idéia de um continente extremamente pobre, onde há muitos animais selvagens e exóticos. Há também a idéia de um “continente negro”. E esta referência de “continente negro”, aparece inclusive em livros. E esta expressão vai muito além, pois os negros são geralmente descritos nos moldes preconceituosos, pois eles não são descritos pela sua cultura, sociedade, estética ou qualquer outra criação humana, mas pela aparência física, pela cor da sua pele.
Outra imagem bem comum da África é de um continente selvagem, tribal e “vivendo longe da civilização”, o que reflete uma das permanências históricas de maior amplitude: tanto de uma visão estereotipada, pejorativa e simplificada, quanto as estruturas sociais chamadas de “tradicionais”.
Durante o expansionismo europeu, todo o investimento feito no território africano foi movido por interesses, pois tinham a necessidade de colonizar e demarcar territórios. No entanto o que vemos ainda hoje é uma grande desqualificação do continente africano, visto como uma unidade selvagem, pobre e inculta. Assim numa visão eurocêntrica, os povos negros são vistos como incapazes de se desenvolver e receber uma educação. Essa afirmação evidencia uma leitura errônea e altamente preconceituosa, pois desqualifica a pessoa pela cor da sua pele.
O que nós não podemos esquecer é que para grande parte da população americana, e em especial a população do Brasil, a África é também uma referência existencial. As nossas raízes também estão na África, pois os negros trazidos de lá para serem escravos, contribuiu na formação de nossa gente. E assim, os descendentes dos africanos no Brasil buscam resgatar as suas raízes.
África do Sul e a Apartheid
A história do país é marcada por conflitos, colonizadores europeus, caçadores de fortuna e racistas dominaram por três séculos a África do Sul. Os primeiros choques entre negros e brancos ocorreram no início da colonização européia no continente africano. Os portugueses descobriram o Cabo da Boa Esperança, depois vieram holandeses, ingleses e franceses.
Em 1487, quando o navegador português Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, os europeus chegaram à região da África do Sul. Nos anos seguintes, a região foi povoada por holandeses, franceses, ingleses e alemães. Os descendentes dessa minoria branca começaram a criar leis, no começo do século XX, que garantiam o seu poder sobre a população negra. Essa política de segregação racial, O Apartheid, ganhou força e foi oficializado em 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder
O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito de voto, detinham todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente a legislação separatista. A política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a chegada do Novo Partido Nacional (NNP) ao poder. O apartheid não permitia o acesso dos negros às urnas, além de não poderem adquirir terras na maior parte do país, obrigando os negros a viverem em zonas residenciais segregadas, uma espécie de confinamento geográfico. Casamentos e relações sexuais entre pessoas de diferentes etnias também eram proibidos. A oposição ao apartheid teve início de forma mais intensa na década de 1950, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), organização negra criada em 1912, lançou uma desobediência civil. Em 1960, a polícia matou 67 negros que participavam de uma manifestação. O Massacre de Sharpeville, como ficou conhecido, provocou protestos em diversas partes do mundo. Como consequência, a CNA foi declarada ilegal, seu líder, Nelson Mandela, foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.
A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento, chegando ao ponto de definir territórios tribais chamados Bantustões, onde os negros eram distribuídos em grupos e ficavam amontoados nessas regiões.
Com o fim do império português na África (1975) e a queda do governo de minoria branca na Rodésia, atual Zimbábue (1980), o domínio branco na África do Sul entrou em crise. Esses fatos intensificaram as manifestações populares contra o apartheid. A Organização das Nações Unidas (ONU) tentou dar fim à política praticada no país. O presidente Piter Botha promoveu reformas, mas manteve os aspectos do regime racista. Com a posse de Frederick de Klerk na presidência, em 1989, ocorreram várias mudanças. Em 1990, Mandela foi libertado, e o CNA recuperou a legalidade. Klerk revogou as leis raciais e iniciou o diálogo com o CNA. Sua política foi legitimada por um plebiscito só para brancos, 1992, no qual 69% dos eleitores (brancos) votaram pelo fim da apartheid. Klerk e Mandela ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Em abril de 1994, Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições multirraciais do país. O Parlamento aprovou a Lei de Direitos Sobre a Terra, restituindo propriedades às famílias negras atingidas pela lei de 1913, que destinou 87% do território à minoria branca. As eleições parlamentares de 1999 foram vencidas pelo candidato indicado por Nelson Mandela, Thabo Mbeki, descartando qualquer tentativa de retorno a uma política segregacionista no país.
Patrícia Aparecida de Oliveira[1]
Resumo
O movimento ocorrido em Arraial de Canudos ou Belo Monte aconteceu no fim do século XIX, no nordeste do Brasil, mais precisamente no sertão da Bahia. Era liderado por Antonio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como “Antonio Conselheiro” que fundou o Arraial em 1896[2]. Conselheiro em meio a suas pregações constrói o povoado e nele organiza um tipo de sociedade que é alicerçada por um sistema de produção que se baseia no trabalho coletivo.
Este movimento estava emergindo no coração do sertão baiano, que tinha um líder popular que via num movimento social a solução para de fender o povo pobre do norte do sertão baiano, desunindo, desnorteando as relações de produção do campo. Este movimento começou então a atrair os trabalhadores do campo que se sentiam oprimidos pelos grandes produtores da região, pelos detentores do poder.
Palavras-chave: Canudos, historiografia, movimento.
Não pretendo neste artigo decorrer por todo o episódio de Canudos, mas talvez levantar alguns questionamentos e analisar alguns pontos da singularidade ou quem sabe a pluralidade a respeito desta guerra, que ainda é vista como uma incógnita.
Muitas pessoas seguem Conselheiro e juntos erguem Arraial de Canudos. Conselheiro e seus seguidores eram vistos como uma grande ameaça à república e à ordem social. Em suas pregações Antonio Conselheiro fazia um misticismo entre a religiosidade do povo e a doutrina da Igreja Católica. Ele convoca os fiéis a defender os seus direitos, fazendo duras críticas à República e também à Igreja, não aceitando assim a imposição do pagamento de impostos e ainda se volta contra alguns pontos da doutrina da Igreja, dentre estes, o casamento religioso.
Pensar Canudos num contexto euclidiano faz-nos viajar por entre a escrita de “Os Sertões” e chegarmos até o Arraial e ali visualizar cada canto, sentindo o modo de vida daquelas pessoas. Eram homens, mulheres, crianças, velhos, que viveram todo aquele massacre. Povo simples que lutavam por um ideal, por uma vida mais justa e que não sendo entendidas eram chamados de loucos, fanáticos, que tem a frente um místico, que busca no fanatismo religioso as questões para a sua luta.
Muito da historiografia de Canudos ficou por muito tempo escondida, pois para as autoridades não era ideal que a História do massacre em Canudos fosse contada com todas as linhas e entrelinhas, muita coisa ficou obscura sobre o morticínio de violência contra o povo que ali viviam.
Aqui quero analisar aquela gente simples, que tinha como desejo viver em suas terras sem precisar pagar impostos muito altos, impostos estes que eram atribuídos pela República.
Sendo assim houve todo um empenho do novo regime que surgia no país para que tivesse logo um fim aquela revolução de pessoas fanáticas. E assim vieram contra os conselheiristas toda a força do exercito. A luta foi intensa.
Naquele momento o nordeste brasileiro era assolado pela fome, pela miséria e conseqüentemente pela precariedade, a região se via ainda abandonada por aqueles que detinham o poder político da época. O nordeste brasileiro vivia meio que abandonado pela força política, surgiu então neste período uma força que se juntou com o povo nordestino para lutar contra o novo regime que nascia no país; o povo se juntou a Antonio Conselheiro que no misto de força religiosa e força política se uniram pra juntos lutarem contra a República que nascia no Rio de Janeiro.
Um regime que nascia com todos os ares de modernidade e que tinha na França o modelo ideal de sociedade. Sendo assim nada que fosse contraria ao modelo europeu não serviria também para República. Acontecia que a população pobre, analfabeta e nordestina, que se levantaria ainda contra os impostos cobrados pelo novo regime seria um obstáculo a ser vencido.
Outro ponto a analisar seria o fato das duas forças oligárquicas existentes na Bahia que viam no episódio de canudos certa ascensão política, ou seja, de alguma maneira eles queriam ser vistos pelos políticos da República. Provavelmente de outra maneira eles não seriam notados, portanto era o momento de usar aquele pequeno povoado que tinha na força socialista um modo de se manterem onde um sempre ajudava o outro.
Houve assim uma mexida a partir de Canudos no embate entre os Vianistas X Gonçalvistas[3], duas grandes forças oligárquicas da Bahia. Essas duas oligarquias usaram do movimento para ascensão no conjunto nacional. Fizeram um tipo de manipulação, uma espécie de propaganda enganosa a respeito de Canudos, assim insuflou uma intervenção nacional.
Fico pensando o que os moradores do Belo Monte, o nome do lugarejo onde houve a Guerra de Canudos, falaria aos intelectuais, aos grandes sábios que procuram meios e meios de tentar entender, analisar, questionar, vivenciar, em fim como estes vêem a sabedoria destes que estudam o episódio de canudos. É certo dizer que poucos se preocupam em ouvir os moradores daquele lugar, o que eles pensam a respeito de tudo o que aconteceu.
Também não podemos negar que hoje já tem teses de mestrado e doutorado que pesquisaram todo aquele povo para entender de fato o que realmente aconteceu neste episódio na região do nordeste brasileiro.
Apesar dos estudos já existentes hoje a respeito de Canudos, serem mais minuciosos, e de haver uma preocupação de ouvir o povo, saber sobre seus sentimentos, suas expectativas de vida, a força que tem os descendentes dos conselheiristas e assim fez aludir a oralidades a respeito dos seus antepassados, de tudo que ouviam daqueles que vivenciaram o movimento.
Antônio Conselheiro e seus seguidores eram vistos como monarquistas, personificando assim o movimento como anti-república, quando o que eles queriam era viver numa comunidade socialista onde tudo era repartido com todos, e que não precisassem pagar impostos tão altos para a República, afinal de contas pagar imposto para que, se a República nada fazia por aquele povo.
Canudos, ainda é visto como um movimento de fanáticos messiânicos, um povo completamente místico e que era guiado por um homem religioso, sem os princípios adequados da religião predominante. Homem que falava em Deus para conduzir o povo, e assim pela fé, pudesse então alienar aquela gente.
Dizer que não havia o misticismo e o caráter religioso, seria até desqualificar a fé daquela gente; mas não era esses o único viés deste movimento. Essas pessoas tinham vontade própria, e se seguiam Conselheiro era por também acreditar num novo regime, onde não imponha a eles o pagamento de impostos tão altos.
Outro ponto que podemos ainda investigar é a condição em que vivia o nordeste brasileiro nesta época, era o início da grande seca. O povo nordestino passava por um período de escassez, portanto este povo sofredor via em Canudos uma força que brotava do coração do sertanejo, uma sociedade com um outro regime, o socialismo, em que tudo era dividido com todos.
Eram negros, índios, brancos, toda gente pobre daquele sertão nordestino que via em Conselheiro uma esperança de vida melhor. Mas não eram marionetes sendo conduzidas de qualquer maneira, tinha sim suas vontades e também suas regras.
O grupo de Antonio Conselheiro, era um grupo miscigenado, tinha gente de todo tipo, como descreve José Calasans[4]:
“Pelo visto, havia gente de todas as origens. Até tipos alourados, como Bernabé José de Carvalho, que fez lembrar ao autor de Os Sertões a presença de descendentes holandeses, no meio daquela jagunçada mestiça. Um homem de olhos azuis e cabelos alourados, que se proclamava de linhagem superior”. [5]
Ainda segundo Calasans:
“Pelo que nos foi possível, alicerçados, sobretudo na voz popular, o séquito do Bom Conselheiro reunia todas as "nações" do sertão. E pela presença de ex-escravos se pode até aventar a hipótese de ser Canudos o "último quilombo”. ”[6]
Canudos era, portanto um movimento socialista, que não reconhecia a República e nem queria pagar as altas taxas de impostos, era também uma cidade independente dentro do país, assumindo todos os poderes, religioso e político, e todo o povo acreditava na força de Conselheiro, ele era uma espécie de profeta, enviado por Deus para tirá-los da miséria. E sendo a pobreza uma característica comum do sertão, os sertanejos viam em Canudos uma outra alternativa de vida, sem a opressão dos latifundiários.
Também não podemos dizer que lá era tudo as mil maravilhas, seria até muito utópico estabelecer que no Belo Monte tudo era mesmo muito belo, definindo Canudos como uma terra prometida, como a “Nova Canaã”. O povo lá vivia sem uma boa infra-estrutura para uma condição de vida razoável, mas em geral penso eu que eles eram felizes apesar de todas as limitações.
Por muito tempo a Guerra de Canudos era vista pela historiografia a partir do ponto de vista daqueles que venceram, e que estavam mais preocupados em explicar o porquê de todo aquele massacre do que em pelo menos tentar entender a cultura e o modo de vida do povo sertanejo.
Hoje a historiografia vem reexaminando as narrativas a cerca de Canudos, mas ao mesmo tempo reconsidera ainda os critérios que pautaram tudo que se falava a respeito de Canudos há alguns anos atrás. Por momentos, é a urgência e a premência das vertentes acadêmicas que redefine o lugar e o papel de cada um na história de Canudos.
É preciso ver este movimento, esta guerra que aconteceu em Canudos, através do olhar daqueles que moram hoje no Arraial, àqueles que são descendentes dos conselheiristas, e que ouviram através da oralidade tudo o que os sobreviventes lhes contaram.
É ainda importante se destacar aqui a manifestação da luta de classes que está nas entranhas deste episódio, vendo através desta luta a aparição e a busca de se ter heróis, heróis estes que lutaram até o último homem na defesa de seus direitos. Heróis que estão no imaginário de cada um dos descendentes dos conselheiristas. Pessoas que buscam através de sua História uma outra historiografia desta guerra civil.
O caráter deste movimento é a reordenação das relações existentes no campo e que na época era expressa através destas lutas. O que se pode dizer é que o que aconteceu no Arraial de Canudos foi uma da lutas de cunho de movimento social mais importante, que fez eclodir numa grande guerra civil aqui no Brasil. Podemos relacionar ainda junto com o movimento de Canudos, outro importante episódio, que é o Contestado ocorrido em Santa Catarina, no sul do país[7].
Em aspectos gerais podemos analisar Canudos e o Contestado num conteúdo sóciopolítico que se implantou nas fragilidades que o novo regime (República) encontrava diante de uma sociedade que ainda tinha pela monarquia um sentimento de paternalismo, e não via a República com confiança. É importante ressaltar que estes dois episódios foram ocorridos em regiões bem distintas, mas tiveram o mesmo cunho social, lutando contra a desigualdade, contra a realidade em que se encontrava o país neste período.
O Brasil se encontrava nas mãos de uma pequena elite que se matinha rica pelo árduo trabalho da população pobre, que se sentiam extorquidos pela imposição do trabalho semi-escravista.
Canudos foi o reflexo das relações de produção no setor agrário do Brasil, ocorrido no final do século XIX, eram grandes latifúndios que esfolava o trabalhador do campo, fazendo com que vivessem num regime de miséria e fome. Estes trabalhadores, na sua totalidade de analfabetos, viviam no interior baiano de uma maneira quase que isoladas uma das outras, como "arquipélago de ilhas humanas", [8].
Consuelo Novais Sampaio[9] cita, que a Bahia na época de Canudos, tinha uma população esmagadora de analfabetos, e que hoje este cenário não muda muito, pois assim como no fim do século XIX a Bahia é visualizada ainda hoje como um estado onde o analfabetismo é predominante.
Na citação a seguir Sampaio nos diz que:
“Nesse contexto histórico, peregrinos de todos os cantos do Nordeste, açoitados pela seca e pela miséria, estabeleceram-se em Canudos, obedecendo ao bastão de comando de Antônio Conselheiro. Erigido em rival da Igreja Católica, temido pelos grandes latifundiários e manipulado pelos grupos oligárquicos dominantes, o Conselheiro foi identificado como monarquista e acusado de conspirar contra a República. Injustamente, porque não poderia ser outra coisa senão monarquista. Viveu toda a sua vida sob a monarquia e, ainda que o ponto culminante da sua odisséia haja ocorrido na República, dela pouco conhecia. Menos ainda os seus romeiros, alheios a qualquer forma de governo”. [10]
Este povo via em Conselheiro um apoio em meio a tantas tormentas que ocorria no sertão. Eles não estavam preocupados na mudança de regime, em quem estava governando ou deixava de governar o país ou o estado, a final nem um nem outro se preocupavam com a população pobre, eles também nem conheciam a República, só estavam indignados pela forma como eram tratados, e queriam agir não como marionetes, mas como sujeitos com vontade própria.
Este movimento tinha sim cunho social e religioso, um movimento participativo que via na coletividade um modo de produção do qual não se curvava à força da pequena elite e isso mexeu nos alicerces das oligarquias baianas, nos latifundiários que estavam perdendo sua força de trabalho.
Canudos apesar de frágil e sem um projeto concreto era visto no Rio de Janeiro como um movimento que se voltava contra a República e de uma força muito superior a que realmente tinha, era visto com um perigo apara a política da República.
Este discurso de um movimento altamente concentrado na derruba da República foi ainda mais eloqüente na voz dos jacobinos e assim Canudos ia sendo cada vez mais transformada num reduto de revolucionários perigosos e perturbadores, e assim o que era uma faísca foi se firmando no eixo federal como um grande incêndio que precisava ser o mais rápido possível eliminado.
Foram então enviadas para a Bahia tropas do exército com a finalidade de acabar com o reduto de Conselheiro e seus seguidores. A primeira tropa foi enviada em 1896, comandada pelo tenente Pires Ferreira[11]. É bem verdade que não foi fácil, houve por parte do exército federal muita dificuldades para vencer na Guerra de Canudos. E esta dificuldade que teve as tropas do exército em Canudos, foi vista pela a República como uma reação do povo de Canudos.
E eles reagiram, mas as condições do terreno, da vegetação da região e ainda o clima quente e árido do sertão colaborou para a derrota das tropas que viam sem antes conhecer o território do “inimigo”. E tudo isto era inflamado no Rio de Janeiro contra o movimento do Belo Monte ou Canudos.
Por fim o exército veio com toda força contra os conselheiristas, e assim diante de um massacre generalizado mostrou a barbárie ao Belo Monte ou Arraial de Canudos e houve uma decomposição da sociedade daquele lugarejo; Houve ainda, se não bastasse toda a barbaridade que se deu contra aquele povo, tiveram que lidar também com a violência sexual, contra suas mulheres e crianças que sobreviveram a esta batalha.
Faço aqui ainda algumas considerações a respeito da violência ocorrida nesta guerra, guerra esta que o povo do Belo Monte lutou bravamente sem as armas e contra as poderosas armas do exército republicano.
O povo do Arraial de Canudos tinha como armas o clima, a vegetação, a religiosidade, a fé e a esperança. Analiso por fim a importância que por muitos anos foi dada a este episódio, que por muito tempo caiu no total esquecimento. Esquecimento este que tem raízes profundas arraigadas entre intelectuais, Igreja e poder público. Pois estes viam naquela guerra um episodio sem importância alguma (ou talvez com muita importância) e assim era melhor que ficasse bem escondido sem que ninguém se desse conta disso. Compreendo que, se algo está muito escondido é porque tem coisa podre aí, afinal não se deve mexer nas vísceras expostas da força militar da época.
As águas rio Vaza Barris foram represadas, compondo assim a barragem de Cocorobó. Encobrindo a memória do Arraial de Canudos[12].
Antonio Olavo[13] nos diz que:
“Em Canudos, o que estava em jogo, não era a inundação de um pedaço de terra qualquer no sertão nordestino. As águas do açude de Cocorobó cobriram uma área onde ocorreu uma das mais importantes manifestações populares do mundo, que envolveu distintos interesses políticos e econômicos, gerando uma guerra que durou um ano e mobilizou tropas de 17 estados brasileiros culminando numa chacina de milhares de pessoas, que manchou com sangue os brasões da República e do Exército”.
A partir da fala de Olavo, fico pensando se a construção deste açude não teria sido propositalmente uma estratégia, para que memória do movimento ocorrido em Canudos pudesse de vez ser esquecida na imensidão das águas do cocorobó, acabando assim com qualquer vestígio do que aconteceu no Arraial de Canudos.
Entendo que, por trás de toda esta historiografia que muitos nos apresentaram, e ainda nos apresentam a respeito de Canudos, existiu e ainda existem interesses políticos, econômicos e militares para que este movimento popular ficasse esquecido, para que desta forma não viesse à tona a fragilidade da República, dos seus governantes e da força militar.
Referências
CALASANS, José. No tempo de Antônio Conselheiro. Salvador: Universidade
da Bahia, 1959.
FAEEBA, Revista, no especial (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. José Calasans. O Séquito de Antônio Conselheiro.
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FAEEBA, no especial (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. Consuelo Novais Sampaio. Repensando Canudos: Jogo das oligarquias.
JUNIOR JOBIM, Carlos Perrone. Diário de um Maragunço: as memórias de um soldado na Revolução Federalista e na Guerra de Canudos; Tese de Doutorado pela UFRGS (2002). Guerra de Canudos (1896 – 1897): Uma Visão Panorâmica.
MOURA, Clóvis. Sociologia política da guerra de Canudos: da destruição de
Belo Monte ao aparecimento do MST. São Paulo: Editora Expressão Popular,
2000.
OLAVO, Antonio. Artigo: O Açude de Cocorobó e a Memória Popular.
TOKARKI, Fernando. Pluralidades e Singularidas entre Canudos e o Contestado, Revista semestral de la Universidad de las Américas. PHAROS, vol. 9, n. 2,, novembro-dezembro de 2002.
[1] Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em História - período V do Campus X – Departamento de Educação da UNEB – Universidade do Estado da Bahia.
[2] TOKARKI, Fernando. Pluralidades e Singularidas entre Canudos e o Contestado, Revista semestral de la Universidad de las Américas. PHAROS, vol. 9, n. 2,, novembro-dezembro de 2002, pág. 151.
[3] Vianistas – adeptos do então governador Luis Viana. Gonçalvistas – adeptos do ex-governador José Gonçalves. Rev. FAEEBA, no esp. (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. SAMPAIO, Consuelo Novais. Repensando Canudos: Jogo das oligarquias. Pág. 06.
[4] Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia
[5] Rev. FAEEBA, no esp. (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. CALASANS, Jose. O Séquito de Antônio Conselheiro – pág. 59
[6] Rev. FAEEBA, no esp. (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. CALASANS, Jose. O Séquito de Antônio Conselheiro – pág. 61
[7] TOKARKI, Fernando. Pluralidades e Singularidas entre Canudos e o Contestado, Revista semestral de la Universidad de las Américas. PHAROS, vol. 9, n. 2, novembro-dezembro de 2002, pág. 152.
[8] “Arquipélago de ilhas humanas” – SAMPAIO, Consuelo Novais. Repensando Canudos: Jogo das oligarquias. (p. 5).
[9] Professora da Universidade Federal da Bahia -
[10] Rev. FAEEBA, no esp. (Canudos), 2a ed., jan./jun. 1995. SAMPAIO, Consuelo Novais. Repensando Canudos: Jogo das oligarquias. Pág. 5.
[11] JUNIOR JOBIM, Carlos Perrone. Diário de um Maragunço: as memórias de um soldado na Revolução Federalista e na Guerra de Canudos; Tese de Doutorado pela UFRGS (2002). Guerra de Canudos (1896 – 1897): Uma Visão Panorâmica. Pág?
[12] OLAVO, Antonio. Artigo: O Açude de Cocorobó e a Memória Popular. Pág?
[13] Antônio Olavo: Fotografo, documentarista e pesquisador.
Pro dia nascer feliz
Patrícia Aparecida de Oliveira[2]
JARDIM, João. Pro dia nascer feliz. Filme documentário – produção: Flávio R. Tamberlline; João Jardim. Produtora: Tamberlline filmes, SP ano 2006.
João Jardim nasceu no Rio de Janeiro, formou-se em jornalismo, fez um curso de cinema na Universidade de Nova York. Foi diretor do longa-metragem “Janela da Alma”, que estreou em 2002, ficando por mais de quarenta semanas em cartaz nos cinemas do Brasil e recebeu em torno de onze premiações. Antes de estrear como diretor de longa-metragem, Jardim atuou na área de publicidade e televisão. Trabalhou com Paul Mazursky em “Luar sobre Parador” (1988), com Murilo Salles em “Faca de dois gumes” (1989) e com Carlos Diegues em “Dias melhores virão” (1989). Montou também vários programas musicais para televisão, entre eles, “Tudo ao mesmo tempo agora”, com os Titãs (1991); “Mais”, com a cantora Marisa Monte (1992); e Caetano 50 anos, com Caetano Veloso. Integrou o núcleo de produção da Rede Globo, dirigido por Carlos Manga e ainda editou e dirigiu minisséries, entre elas Engraçadinha.
A produção do filme documentário “Pro dia nascer feliz” ganhou nove prêmios em vários festivais de cinema brasileiros. Composto de uma bela trilha sonora, de cenas marcantes, que segundo o próprio Jardim, é um diário do cotidiano dos adolescentes do Brasil em seis escolas brasileiras. Onde mostram as diferenças sociais, econômicas e culturais destes adolescentes, bem como os problemas que permeiam alunos, escolas e professores. As escolas observadas estão localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
São 88 minutos de informação e conhecimento, além de nos permitir um olhar reflexivo sobre a educação em nosso país. São cenas que perpassam por salas de aula, por alunos nos pátios em recreios ou mesmo em aulas vagas, em bate-papos próprios de adolescentes. O documentário apresenta entrevistas com professores e alunos; mostrando professores desiludidos e desanimados pelo sistema educacional e pelo o constante desinteresse dos alunos. E mostra alunos desatentos, desinteressados, marginalizados, abafados pela pressão da escola, ou desacreditados pelos professores.
O filme se estende para toda sociedade num alerta a respeito da realidade vivida por adolescentes no interior das escolas, e também fora delas. Penso que todos os educadores e estudantes deveriam ter a oportunidade de vêem este documentário, para que possam refletir sobre que tipo de educação espera-se em nosso país. É intrigante, digo até que chocante ver cenas de escolas dilaceradas, onde não tem água ou um banheiro decente, não tendo sequer o mínimo para que uma pessoa se estude com dignidade. Ao contrario vi neste documentário, cenas de escolas onde a dignidade das pessoas é simplesmente jogada ao chão.
No momento que eu assistir ao filme fiquei abismada com as imagens apresentadas, com toda a situação abordada a cerca dos conflitos vivido por adolescentes e professores. Conflitos esses que me deixou pasma perante a deploração destas escolas, bem como seus professores e alunos. O que mais me sufoca é saber quão esta realidade está mais próxima do que eu possa imaginar, e estes, não são casos isolados de Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, mas casos que se apresentam em todo o Brasil.
O documentário se inicia em Manari, no sertão pernambucano, cidade que apareceu no senso como um dos índices mais altos de analfabetismo no Brasil. Foi nesta escola em Manari, que apresenta uma cena muito comovente, é o caso de Valéria, uma adolescente cheia de sonhos e esperanças. Mas com consciência da sua realidade. Firme, com olhar e voz meiga, ela diz em meio a um sorriso sincero e afetuoso que os professores não acreditam no seu talento para escrever. Ela muito estudiosa, mostra um livro de Drumonnd, diz que gosta muito de ler que os outros jovens da sua cidade a acha estranha por gostar de ler e estudar.
A cidade que Valéria mora não tem escola do ensino médio, portanto ela vai para a escola num ônibus fretado pela prefeitura. Porém este ônibus é quase que uma sucata, quebra constantemente, sem o mínimo de conforto para uma viagem por uma estrada de chão. Mesmo com todos os contras que Valéria encontra, ela não desanima nunca, e mesmo tendo consciência da sua dura realidade, não vê um outro meio de uma vida melhor, se não for por meio da educação, dos estudos. E isso é um grande contraste com outros adolescentes mostrados no documentário. Como por exemplo, Douglas que é visto pelos professores como um aluno problema, desinteressado, o típico aluno que perturba todas as aulas. E sem saber o que fazer com Douglas, as professoras, decidem num conselho de classe, aprová-lo. E Douglas simplesmente vai para outra série sem saber nada do conteúdo que já teria que ter aprendido neste ano letivo.
Um outro ponto do documentário que me chamou muito a atenção foi o caso da menina que matou uma colega por um motivo banal. E o que mais impressiona é a narrativa dela quanto ao fato, num tom de frieza e sarcasmo ela relata que chegou ao corredor da escola deu as facadas, e pensou que ela fosse morrer logo, mas que havia demorado ainda 10 minutos para morrer. Fiquei me perguntando em que país estamos vivendo? Que educação esta sendo pensada e repensada para estes jovens, que não tem perspectiva nenhuma na escola, no país ou na sua própria vida? O que esperar deste país, deste sistema educacional? É muito esdrúxula esta situação, a educação em nosso país esta passando por uma situação de alto perigo que transcende a todos os órgãos competentes, como também, a toda sociedade.
Uma questão colocada também neste documentário, foi a escola da elite paulistana, um outro sistema de educação, uma escola tradicional católica, rígida e que os seus alunos reclamam muito da cobrança excessiva. No entanto se nota neste espaço escolar problemas enfrentados por estes alunos, que reclamam da extensa carga horária a qual eles são submetidos, falam também de problemas existenciais e depressão.
Numa outra escola de São Paulo, mostra a realidade de uma aluna que vive numa crise de identidade sexual. Keila, num depoimento comovente, fala dos seus anseios de saber sua opção sexual, por medo de expor sua situação, e ser ridicularizada ou de não ser aceita, pela família, pelos colegas, ou melhor, de não ser aceita por toda uma sociedade altamente preconceituosa. E ela relata seu desejo de morrer, para fugir de tudo. Encontrando apoio no projeto fanzine, coordenado pela professora de literatura. E neste projeto os alunos encontram apoio, tendo voz e vez para falar, através da literatura suas angústias, suas alegrias, seus desejos.
Este documentário, além de mostrar realidades diferenciadas dos adolescentes, nestes três estados, mostra também no meu ponto de vista um sistema educacional cheio de intrigas, de controvérsias, de entraves. Onde professores desmotivados pelos baixos salários, pela violência ocorrida fora e dentro da sala de aula, pelo desinteresse dos alunos, vão para as salas de aula, esmigalhados, cansados, estressados e isso salta aos olhos de qualquer pessoa que assista ao filme. Mostra-nos também um sistema educacional carente, quase que fracassado, embrenhado na sua própria realidade.
Focalizando estes adolescentes em suas realidades, o documentário mostra-os, bem como as escolas onde eles estudam, e seus professores meio que perdidos em seu próprio contexto educacional e existencial.
Pro dia nascer feliz, é um pisca alerta para que alguma coisa seja feita, com a máxima urgência pela educação, pelos nossos adolescentes, pela formação de professores. É necessário acordar, não dá mais para esperar o de fingir que está tudo bem. Não é tapando o sol com a peneira que vamos resolver os problemas existentes com o ensino neste país. É preciso haver uma mudança, mesmo que sabemos, não é fácil as mudanças, mas elas precisam acontecer, e se todos se derem as mãos e começarem a agir rápido é possível que esta realidade possa mudar.
Para que haja um novo sistema de ensino, um novo modo de se ensinar, de se mediar os conteúdos programáticos de cada disciplina, exige entrega e muita força de vontade, e isso cabem também aos professores, que precisam sair da comodidade e começar a fazer alguma coisa. Não dá mais para colocar a culpa só no sistema, todos nós temos nossa parcela de culpa, e precisamos agir rápido.
Quero ressaltar que este documentário é um instrumento muito importante para que alunos, professores e coordenadores possa ter acesso. E ainda o recomendaria a todos que acreditam que a educação é uma ferramenta eficaz, importante e essencial para que a sociedade seja transformada, para isso é preciso de um trabalho coletivo. E é necessário um investimento muito maior na educação. Não se pode mais emendar a educação, é preciso fazer algo concreto pelo sistema educacional de nosso país.
Digo assim baseando-me nas e nos dados escandalosos nos traz. É triste mas é real, em nosso país segundo o documentário há 200 mil escolas, onde 18 mil pasmem, não tem banheiro, e duas mil não tem água, itens básicos para um mínimo de conforto. E boa parte dessas escolas estão no nordeste brasileiro, um canto do país assolado pela seca, pela fome, pela pobreza extrema e pelo o total descaso dos governantes.
Por fim, recomendo que assistam ao filme, ele é de fácil compreensão, além de ser algo real, são cenas que em nenhum momento se camufla a realidade, ao contrário, seu objetivo é justamente mostrá-la, mesmo que de forma dura, até mesmo para alertar toda a sociedade brasileira. É um filme muito bem feito e mito bem produzido. Vale a pena assistir cada pedacinho, mesmo que seja cenas que hora nos choca, hora nos comove, mas por fim nos faz chorar perante tantos problemas e tantos descasos com os adolescentes, com as escolas, com os professores, com a educação neste país.
[1] Resenha crítica sobre o filme documentário “pro dia nascer feliz”, apresentado a disciplina de Epistemologia e Didática.
[2] Acadêmica do V período do curso de Licenciatura em História do campus X p UNEB.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
NOS CAMINHOS DO ENSINO DE HISTÓRIA: relato de uma experiência no Estágio de Observação – possibilidades de articulação teoria e prática[1]
Patrícia Aparecida de Oliveira [2]
Resumo
O artigo tem como objetivo socializar a experiência de estagio supervisionado realizado como exigência curricular no curso de licenciatura em Historia do DEDC X da UNEB. Esta experiência se deu por meio de observação, participação nas atividades da escola e análise do que foi possível apreender durante o período de estágio As referencias que nortearam o trabalho foram: PIMENTA (2004); LIMA (2002); FREIRE (1997); BLOCH (2001); CARDOSO (1984); LE GOFF (1961); dentre outros das disciplinas pedagógicas quanto das especificas do Curso de História. No referente estágio tivemos a orientação das professoras Guilhermina Elisa Bessa da Costa e Gislaine Romana Carvalho. O lócus do estágio foi o Colégio Anchieta/Objetivo, pertencente à rede particular de ensino de Teixeira de Freitas. O Texto esta organizado em três partes: o contexto da experiência, o relato da atividade e breve análise da experiência. Os resultados indicam que a experiência de estágio cumpre um papel importante principalmente para os estudantes que ainda não tiveram a experiência da docência.
Palavras chaves - Estágio, educação escolar, experiência de estágio.
INTRODUÇÃO
No curso de Licenciatura em História da Universidade do Estado da Bahia – Departamento de Educação Campus X, as atividades de estágio se inicia a partir do quinto período com o Estagio Supervisionado I, que consiste em uma atividade de Estágio de Observação.
Neste primeiro estágio, apenas observamos o fazer do dia-a-dia do professor, além da observância do espaço escolar como um todo. A prática de estágio é de fundamental importância para a prática educacional.
Sabemos que não nos basta só a teoria, ela é fundamental, mas é necessário aliar, teoria e prática, para que possamos ter uma melhor perspectiva, um melhor resultado. Araújo (2007) afirma que o “ Materialismo Histórico -Dialético sustenta que o conhecimento efetivamente se dá na e pela práxis. Esta afirmação expressa a unidade indissolúvel de duas dimensões distintas, diversas no processo de conhecimento: a teoria e a ação” (p.36). KONDER (1992) por sua vez afirma que,
“ a práxis é a atividade concreta pela qual os sujeitos humanos se afirmam no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem alterá-la, transformando-se a si mesmos. É a ação que, para se aprofundar de maneira mais conseqüente, precisa da reflexão, do auto questionamento, da teoria; é a teoria que remete a ação, que enfrenta o desafio de verificar seus acertos e desacertos, cotejando-os com a prática.” (p. 115)
É de importância muito grande a teoria, ela nos permite ir um além, ajuda-nos a obter outro olhar, portanto a teoria sem a prática é incompleta, ou vice e versa. É nesta perspectiva que se realizou o estágio de observação aqui ora relatado.
O estágio foi planejado a partir de discussões e projetos a cerca do ensino de História. Desde que entrei na Universidade, muito se debateu e ainda se debate sobre os problemas que permeia o ensino de História em escolas públicas e privadas, tanto nas series iniciais, quanto no ensino fundamental e médio.
Assim o estágio foi realizado no intuito de compreendermos melhor a realidade educacional e definirmos as nossas ações para futuros estágios e também nos prepararmos para a docência. No nosso caso organizando um ensino de História que possa contribuir para que os estudantes compreendam melhor a sua realidade e passe agir em prol de sua modificação, agindo assim como verdadeiro sujeitos da história.
1. O Contexto da experiência
Neste primeiro estágio presenciei a realidade de uma instituição particular, e apesar do universo diferenciado de outras realidades escolares, esta observância me fez compreender e refletir um pouco mais acerca de tudo que debatemos em sala de aula na academia. Pude constatar que algumas das dificuldades levantadas nos debates, e que se referia na maioria das vezes a escolas públicas, acontece também no contexto das instituições privadas.
O referido estágio foi realizado em duas turmas da 6ª (sexta) e 8ª (oitava) séries do Ensino Fundamental II, compreendendo a III unidade do ano escolar de 2009. Este ocorreu no período de abril a agosto de 2009, compreendendo o semestre 2009.1, tendo uma carga horária de 90 horas, contemplando em sua carga horária momentos de estudos teóricos e o período da observação, seguindo da análise e elaboração do relatório, bem como seminário para a socialização das experiências.
O Colégio Anchieta Objetivo situa-se na Rua Pedro Medeiros Guerra, 144 – Centro. Atua na educação desde 1987, quando na época o ensino se estendia da educação infantil ao ensino fundamental. O ensino médio foi implantado a partir de 2001.
Este colégio é uma instituição particular, atende a alunos de classe média, emprega 40 professores, todos graduados, e alguns possuem também a pós-graduação, Tem ainda três coordenadores pedagógicos que atuam juntamente com os professores, além de outros profissionais, tais como auxiliares de limpeza, secretários, e todo pessoal administrativo.
A professora de História do ensino fundamental II, Michelli Vassoler Rodrigues é formada pela FAFIC – Colatina – ES. Ela atua na educação há dez anos.
O bairro onde a escola está inserida é um dos bairros mais antigos da cidade. Caminhando pelas proximidades da escola, percebi que há ainda muitas casas antigas, moradores também antigos daquele bairro.
A escola tem como perfil uma busca incessante ao atendimento as expectativas do educando, para que este se torne um cidadão crítico, reflexivo e político, construtor da comunidade e da sociedade.
A escola é composta de mais ou menos 11 de salas de aula, duas quadras, que são pequenas e muito próximas das salas de aula; têm também uma área para os pequenos, composta por areia lavada, piscina infantil (só para as crianças do ensino infantil), chuveiros, um parquinho, uma casinha de bonecas, etc. Há também aulas de música para os menores, que tem outras atividades fora da sala de aula. Os vi fazendo aula de capoeira em alguns dias.
A escola disponibiliza de um laboratório de informática, que esta inteiramente acessível aos alunos, bem como uma biblioteca, onde podem ser feitos pesquisas e empréstimos de livros para os alunos, além de ter também TV e DVD, que é disponível aos alunos sempre que precisarem.
Os alunos do ensino médio estudam pela manhã, mas complementam a carga horária em duas tardes por semana.
2. O relato da atividade de estágio
Compreender o espaço escolar, a sala de aula é algo as vezes assustador para quem ainda não atuou em sala de aula, ao mesmo tempo instigante e desafiador, e foi com sensação um tanto contraditória que fui para o estágio.
Fui com desejo de aproximar e compreender a ação do professor, o cotidiano do estudante, além disso, compreender melhor o espaço escolar como parte de um contexto social mais amplo.
A partir das leituras, debates e conhecimentos vivenciados no interior do espaço acadêmico pude perceber que as ciências humanas têm como papel importante para formação dos estudantes no contexto da escola propiciando-lhes a compreensão da ação do homem no decorrer da história.
Dentro da sala de aula que observei pude notar que a professora trabalha na contextualização dos fatos, ela aborda a História de uma maneira critica e reflexiva, para que o aluno possa compreender o fato importante como algo que está ligado à sua realidade, ou a sua própria história. Tendo todo este novo olhar para a educação de uma maneira que se cobra do professor uma amplitude maior em seu conhecimento, para que se valorize principalmente na área da história a pesquisa e o ensino como algo que estejam interligados. E deste ponto de vista vi também esta proposta nas aulas da professora a qual observei, além de ser notório ainda que suas aulas são dinâmicas, saindo completamente da linha tradicional do ensino de História.
Nas aulas em que eu observei, tanto na 6ª série, quanto na 8ª série, o que eu pude perceber é que há por parte dos alunos, uma interação com as aulas. Geralmente eles lêem o assunto que está inserido na apostila, para que depois seja debatido em sala de aula.
A professora por sua vez, tem total domínio do assunto, consegue abordar o assunto de maneira que o aluno se envolve com a temática. Apesar de em alguns momentos eu ter presenciado uma inquietação por parte dos alunos, isso em momento algum prejudicou o andamento das aulas; a professora com domínio da sala consegue manobrar as inquietações.
Em algumas aulas que eu acompanhei, observei a presença de mapas, para que o aluno pudesse situar o contexto histórico e geográfico. Como por exemplo, na 6ª série, nas aulas sobre as grandes navegações, onde com o mapa ela situou o aluno para o que acontecia na Europa naquele período. Como eles enxergavam a Terra, e como partiram para as navegações. Vi ali uma aula bastante interessante e de fácil compreensão, e que conseguiu envolver aos alunos naquela temática.
Durante as aulas sobre as Grandes Navegações, tinha como último tópico o seguinte tema: E o Brasil entra na História. E foi a partir daí e da explanação das hipóteses que contestam o “descobrimento do Brasil” que a professora propôs a construção de um texto.
A atividade consistiu na produção de um texto, de acordo com a história crítica, pelos alunos a partir da escolha de uma das hipóteses esplanadas, para discorrer sobre a questão que o Brasil não teria sido “descoberto” por acaso.
É claro que esta atividade foi proposta dentro de uma visão da História a respeito do descobrimento do Brasil, que hoje é contestado o fato de que o Brasil não teria sido “descoberto” por um simples acaso.
Achei uma proposta de atividade muito interessante, já que ainda hoje vemos em boa parte dos livros didáticos, sendo contada a história do “descobrimento”, como mero acaso, sem levar em consideração todas as questões políticas, econômicas e sociais que a Europa vivia na época, além do mais havia uma grande disputa de poder, através das novas terras descobertas no chamado “Novo Mundo”. Infelizmente não pude acompanhar o resultado dos textos, pois estava finalizando o estágio.
Em todas as aulas que eu pude observar a docente teve total comando do assunto, e apesar do curto tempo de aula ela consegue se aprofundar nos assuntos propostos no conteúdo programático. E isso pela dinamização que ela tem em sala de aula, a participação dos alunos, e além do mais a leitura prévia pelos alunos do conteúdo, ajuda a entender melhor o assunto nas horas das aulas, que na maioria das vezes, são aulas expositivas dialogadas.
A professora, por sua vez também não deixa nenhum assunto solto, eles são sempre bem amarrados, e desta maneira os alunos não se perdem, e situa corretamente cada fato.
Em nenhum momento percebi a professora preocupada em datas, fatos ou heróis históricos, ao contrário, em suas aulas ela media as aulas de maneira que os alunos possam se conceituar na História crítica.
Análise da experiência
Estar em contato com o fazer do dia-a-dia em sala de aula possibilitou ver mais de perto a realidade da atuação do professor, pude compreender ainda que ser professor é bem mais que uma profissão, pois este é um agente social que atual diretamente na vida das pessoas. Pensando que educador e educando agem diretamente na história com sujeitos ativos de todo processo histórico, e neste ponto o professor media para que o aluno dentro da sociedade saiba refletir e agir como um ser social critico.
Com relação à prática dos professores, e a vivência da pratica educativa nesta escola, em especial a pratica da professora Michelli, me fez entender que educar é algo que vai além, é um fazer que nos encanta e que nos convida a cada vês mais sermos autênticos e ousados, proporcionando novas formas de aprendizado, este foi na etapa de observação e a próxima será na etapa de regência que nos proporcionará ainda mais o interagir entre pratica e teoria, ou seja a práxis educacional.
Sabemos que problemas há em todos os lugares e em todas as profissões, da mesma forma que as contradições que encontramos no ambiente escolar; sabemos também que ela existe em cada espaço, afinal, o Brasil é o país das contradições, não podemos fugir dela, mas podemos conviver com ela da melhor maneira possível, isto não significa que temos que aceita-la, mas lutar para que ela seja cada vez mais limitada.
No referido período observei que educar requer dinamismo, uma boa metodologia de ensino, uma dose elevada de auto-estima, dedicação e profissionalismo. Tive a possibilidade de observar uma educadora que trabalha a História de forma contextualizada, possibilitando uma aprendizagem significativa.
Nas muitas leituras que fizemos no decorrer das aulas de estágio, tivemos a oportunidade de estar em contato com leitura que nos levaram a analisar e refletir a cerca do estágio, da docência e das praticas educacionais; em uma dessas leituras, Lima (2004), afirma que alguns professores se tornam modelos para que o aluno/observador possa tentar imita-lo. Não direi que vou imitar a professora, mas digo que ela me inspirou a ser uma boa professora, bem dinâmica, bem articulada, com bom relacionamento com alunos, com metodologias simples e bem elaboradas, que consegue de um jeito simples, mas coerente atingir o objetivo, que é ser um bom mediador para os alunos.
É este o papel do professor, se um mediador entre o conteúdo e o aluno. E eu vi isto nas aulas que eu observei dentro do Colégio Anchieta Objetivo.
Dentro da sala de aula, o professor tem autonomia de trabalho, pois só assim é que ele conseguira desenvolver um bom trabalho. E eu percebi autonomia da professora, e a partir daí ela terá suporte para agir também como responsável social.
O professor é responsável pelo cotidiano do aluno, pois garantirá entre outros meios à pluralidade e abertura de idéias para que assim possa garantir alternativa para uma transformação social.
Algo que me chamou a atenção na professora, a qual eu estava observando é que ela consegue ser firme com delicadeza, consegue dominar a sala de aula sem precisar gritar, ou sem precisar descontrolar. E isso de um jeito sutil e amável com os alunos. E assim ela obtém admiração e respeito dentro e fora da sala de aula.
Neste primeiro estágio me possibilitou ter um contato mais direto em sala de aula com o ensino fundamental II. Nesta observância pude compreender que assumir uma sala de aula não é fácil, mas é algo estimulante. E este algo estimulante foi me proporcionado observando as aulas da professora, que com atitude e doçura tem total domínio do assunto, bem como com os alunos. Em nenhum momento deste tempo que fiquei observando vi a professora alterando a voz com os alunos, ou em qualquer outra situação.
Neste contato com a professora, aprendi um pouco mais sobre a postura do professor em sala de aula. E neste sentido ela tem uma preocupação ao ministrar suas aulas, para que os alunos possam atuar, assimilando os temas propostos.
Em nenhum momento, nas suas aulas, vi a professora usar fichas ou algum tipo de anotação, demonstrando muita segurança e firmeza.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta primeira etapa de estágio, sendo este de observação, pude contemplar com afinco esta dinâmica de sala de aula. Observar e bem mais que simplesmente olhar por olhar, penso que esta observância nos dá parâmetros para um futuro estágio de regência.
Neste sentido vejo que este estágio está ligado a um esforço a mais de determinação para se ter um trabalho cada vez mais eficaz.
Desta maneira percebo que os registros aqui disponibilizados, não contemplam o todo do meu aprendizado; não me atentei somente para as respostas que me foram dadas, mas busquei focalizar além das respostas, para que eu pudesse contemplar um melhor conhecimento.
Vi que a teoria é muito importante, mas ela de nada vale sem a prática cotidiana. Do mesmo modo que só a prática também não adiante, pois é preciso estar em constante processo de aprendizado, para assim se tornar na prática um bom educador.
Nas análises constantes, percebi que a escola tem como filosofia práticas educacionais sócio–interacionista. Havendo assim uma interação entre escola, aluno, sociedade.
No decorre do estágio, sentir muita dificuldade no que diz respeito às questões burocráticas, muito papel, pouca informação, e por esta estagiando numa instituição particular não me senti muito a vontade para estar questionando tudo que estava implícito naquele questionário que nos norteou para as entrevistas. Bem como tirar fotos, etc.
Penso que num estágio de observação de sala de aula, onde o referencial é o professor, já que estamos num curso de Licenciatura, deveríamos ter nos atentados somente para a observância em sala de aula. È importante estas outras observações, mas não necessariamente serem feitas como se estivéssemos estagiando numa gestão escolar.
Apesar do cansaço e dos desencontros de informação, penso que aprendi muito com esta primeira etapa de estágio. Procurei absolver o máximo das aulas que observei, me colocando até mesmo no lugar da professora, analisando e me perguntando, se quando chegar o tempo do estágio de regência darei conta com tanta competência?
Por fim, penso que eu aprendi com a professora a qual observei acompanhar na caminha que tenho a percorrer neste tumultuado, mas estimulante caminho educacional.
É importante ainda percebermos que o professor ainda é muito desvalorizado em nosso país, já avançamos um pouco, mas ainda nos falta muito para que o professor alcance de fato seu valor devido. E essa desvalorização já se inicia na sua formação, tendo em vista que os cursos de bacharelados são muito mais bem vistos do que os cursos de licenciaturas, e o mais interessante é que tanto para a formação do bacharel quanto do licenciado a pessoa do professor é extremamente essencial, até porque sem ele não há como formar nenhum outro profissional, isto é um tanto quanto contraditório. Não dá para entender porque se dá uma importância maior aos cursos de bacharelado.
É preciso que o professor tenha mais voz para participar do procedimento de edificação do ensino; que seu conhecimento de vida e subjetividade seja considerado dentro do espaço escolar. É preciso que o professor seja ouvido, penso que ele tem o direito de ajudar na construção dos currículos escolares.
Não se pode pensar o professor só como mediador do conhecimento dentro de sala de aula, sua experiência deve ser mais abrangente para a construção do fazer em sala de aula para uma educação mais voltada para a formação de pessoas comprometidas com responsabilidades sociais, transmitindo suas opiniões, bem como elaboração de pensamentos críticos e reflexivos.
Penso que é dentro da sala de aula que nasça os vários debates sobre variados temas, e este deva ser o eixo central das aulas: diálogo, debates e discussões. E é este também o papel do professor, criar meios para que o aluno construa seus próprios conceitos, para que eles constituam relação no espaço e no tempo, e para isso é necessário muitas leituras sólidas do mundo que nos cerca.
Conclui-se que é na feitura do dia-a-dia que vão aparecendo muitas questões, e é no aparecimento destas questões que, consequentemente, vão surgindo uma incessante busca pelas respostas, para que assim nos leve a um conhecimento profundo que nos possibilite pensar alternativas para limites diagnosticados. Esta primeira etapa deu um parâmetro para a realização do estágio de regência. Analisei ainda que, o Estágio se constitui em um espaço de muito importância, pois a teoria mesmo sendo fundamental, não é suficiente para a formação do educador. Neste sentido, o estágio se constitui em um alicerce para que futuramente possamos articular conhecimento adquiridos do decurso da formação acadêmica e na vida cotidiana em diferente espaços e a realidade onde atuaremos.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, Maria Nalva R. de. As contradições e as possibilidades de construção de uma educação emancipatória no contexto do MST. Tese de Doutorado. FACED/UFBA. SALVADOR. 2007.
LIMA, Maria Socorro Lucena; ALMEIDA, Ana Beatriz Bezerra; SILVA, Silvina Pimentel. Dialogando com a Escola. Fortaleza 2002.
PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. São
Paulo: Cortez, 2004.
KONDER, Leandro. O futuro da Filosofia da práxis: o pensamento de Marx no século XXI.Rio de janeiro: paz e terra, 1992.
Projeto Político Pedagógico do Colégio Anchieta Objetivo.
[1] Artigo produzido a partir do relatório de estágio.
[2] Estudante do VI semestre do curso de licenciatura em Historia da Universidade do Estado da Bahia/Departamento de Educação Campus X-DEDC - X . Bolsista de Ensino da disciplina Laboratório para o Ensino de História DEDC – X.. pat_historia@hotmail.com